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Tuesday, June 14, 2011

As novas gerações de alunos



Os alunos das gerações mais jovens, nascidos a partir de 1980, cresceram cercados de diferentes tecnologias digitais que continuam a moldar o modo como vivem, pensam, aprendem e interagem. São vários os termos usados para descrever a geração actual de alunos e os seus estilos de aprendizagem que vêm sendo alterados em virtude das tecnologias digitais indissociáveis do seu quotidiano. Entre a variedade de termos figuram expressões como “Nativos Digitais” (Prensky, 2001a), “Geração Net” (Oblinger & Oblinger, 2005; Tapscott, 1998), “Geração Millennium” (Dede, 2005; Pedró, 2006, 2009), “Geração Polegar” (Rheingold, 2003) ou “Geração Móvel” (Moura & Carvalho, 2008a; Moura, 2009a; Tremblay, 2010), contribuindo todas elas para evidenciar diferentes aspectos do mesmo fenómeno.
A maioria das actividades quotidianas da actual geração de alunos está relacionada com tecnologia e com a participação em redes sociais. Muita da gestão de conhecimento que os jovens actualmente realizam fora da escola é mediada por tecnologias. A popularidade das mensagens instantâneas, das redes sociais e outras ferramentas da Web 2.0, como os blogues ou as Wikis, deve-se às mudanças na forma como esta geração pode aprender, comunicar e divertir-se (Pedró, 2006). Segundo Redecker (2009), embora haja discrepâncias entre os perfis tecnológicos dos membros desta geração de alunos, reflectindo a fractura digital existente em diferentes países, há dados provenientes de diferentes fontes que indicam a existência de mudanças nas atitudes, estilos e padrões de aprendizagem, com grande impacte na aprendizagem.
Algumas das características mais marcantes desta geração têm vindo a ser discutidas. Redecker (2009) descreve nove dessas características:
Uso da tecnologia - Esta geração sente-se confortável a usar várias tecnologias em simultâneo (Prensky, 2001a). Por ter crescido com a Web tem experiência no seu manuseamento e gosta de estar “always on” (Traxler, 2005a, 2009). Não obstante, Oblinger e Oblinger (2005) chamam a atenção para o facto de embora sentirem alguma facilidade a usar tecnologia, sem manual de instrução, a sua compreensão e valor da tecnologia é superficial. É aqui que o papel do professor é fundamental.
Multitarefa – Refere-se ao processamento simultâneo de duas ou mais tarefas através de um processo de mudança de contexto. É a habilidade de realizar multitarefas. Para eles a multitarefa é a abordagem normal no uso dos media digitais, como seja estar online e ao mesmo tempo ver TV, falar ao telemóvel e fazer os trabalhos de casa. A variedade de dispositivos digitais e interfaces em que actuam incentiva a multitarefa (Dede, 2005). Movem-se rapidamente de uma actividade para outra e muitas vezes executam-nas em simultâneo (Oblinger & Oblinger, 2005). Em consequência, os seus padrões cognitivos estão a mudar. Esta geração não pensa de forma linear e parece ser menos estruturada do que as gerações anteriores (McLester, 2007). Os jovens adquirem conhecimento através de um processo descontinuado, informação não-linear, o que altera profundamente os seus estilos de aprendizagem (Pedró, 2006). Dede (2005) adverte para o facto da multitarefa poder resultar numa sobrecarga cognitiva e perder a sua eficácia. Tudo depende da forma como for usada a multitarefa. Se resulta numa forma superficial e distractiva de obter informação ou numa forma sofisticada de sintetizar novos conhecimentos. Ellis et al. (2010) realizaram uma experiência para analisar se o multitasking na sala de aula afecta o grau de desempenho dos alunos. Metade dos participantes foram autorizados a realizar outras tarefas, como por exemplo poder enviar mensagens de texto durante a aula, enquanto que à outra metade isso não foi permitido, estando obrigada a concentrar-se apenas no desenvolvimento da aula. Os dados indicam que os resultados dos exames dos alunos a quem foi permitido realizar multitarefas são significativamente inferiores relativamente aos resultados dos alunos que não tiveram autorização para a multitarefa na sala de aula. Para estes autores a multitarefa na sala de aula é considerada uma distracção que pode resultar em menor desempenho dos alunos e que é preciso ter em consideração.
Individualização e personalização – As tecnologias, em especial, os dispositivos móveis estão a permitir um aumento do acesso à informação em qualquer lado e a qualquer hora. Também permitem um acesso “just-in-time” ou “ just-for-me”. Isto pode ser a base para a individualização e personalização da aprendizagem. É a base para uma aprendizagem fragmentada e isolada. Siemens (2006, p. 72) sintetiza esta tendência através da expressão “The rise of the individual”, por considerar que os indivíduos têm agora maior controlo, maior capacidade para criar e para se conectar do que em qualquer outra época da história. Para este autor as relações são definidas por conveniência e interesse e não geograficamente. Podemos trabalhar onde e quando queremos. O tempo e o espaço deixam de ter limites. Prensky (2005) considera ser necessário que a sala de aula capitalize as capacidades e competências individuais dos alunos, caminhando no sentido da instrução personalizada, continuamente adaptada às formas de aprender de cada aluno. Como observa McLester (2007), esta geração de alunos é extremamente social, mas também egocêntrica e esforça-se por se tornar independente.
Hiperconectados – Os alunos desta geração gostam de estar sempre disponíveis, sempre conectados, “always on” (Oblinger & Oblinger, 2005). Comunicam por SMS, estão online nas redes sociais ou no MSN, tudo em simultâneo. Este aumento da conectividade estreita os limites entre o mundo real e o mundo virtual (Siemens, 2006). Para Prensky (2005), a adaptabilidade, conjugada com a conectividade, é onde a tecnologia digital mais impacto terá na educação. Tapscott (2008) no seu livro “Growing up digital” diz que os jovens navegando na Internet deixam de ser os passivos espectadores em frente à televisão, como foram os seus pais, e isto vai transformar os seus cérebros.
Imediatismo – Como refere Siemens (2006, p. 74) “the world has become immediate”. O imediatismo é outra característica desta geração que em virtude da exposição a diferentes meios de comunicação (conversas ao telemóvel, SMS, MSN), espera respostas imediatas e reacções rápidas. Esta situação de comunicação é vista com normalidade por esta geração, que é extremamente impaciente (McLester, 2007). Este ritmo acelerado pode muitas vezes significar falta de atenção, na sala de aula, quando a aula deixa de ser tão interactiva, pouco desafiante ou lenta (Oblinger & Oblinger, 2005). Acostumados a muitos estímulos facilmente se enfadam na sala de aula tradicional. Prensky (2005) reforça esta ideia ao referir que, cada vez mais, os nossos alunos deixam de ter os pré-requisitos para uma verdadeira aprendizagem (o envolvimento e a motivação), porque a escola não os envolve, nem os motiva.
Múltiplos tipos de media – Os alunos de hoje dominam uma variedade de ferramentas (computador, calculadores, leitores de MP3 ou MP4, telemóveis) que são como extensões dos seus cérebros, por isso educar sem estas ferramentas não faz sentido para eles (Prensky, 2005). Esta geração tem estado exposta a múltiplos tipos de media desde a mais tenra idade e como consequência são visualmente mais estimulados do que as gerações passadas e estão mais confortáveis em ambientes ricos em imagens do que com texto, como assinalam Oblinger & Oblinger (2005). Para estes autores, muita da leitura feita pelos jovens é feita na Web. Esta geração considera os conteúdos multimédia, pela sua natureza, de maior valor do que o texto simples. Na opinião de Prensky (2005) os jovens usam no dia-a-dia novos sistemas de comunicação (SMS, MSN, chat), partilham (blogues), compram e vendem (eBay), trocam (P2P), criam (flash), coleccionam (downloads), coordenam (wiki), reportam (telemóvel), pesquisam (google), socializam (salas de chat) e aprendem (navegando na Web). Para este autor é preciso que os professores ajudem os alunos a beneficiar destas ferramentas e sistemas para os educar para o futuro.
Empenho e atitude de trabalho – Os jovens gostam mais de aprender fazendo, do que se lhes diga o que fazer. Preferem fazer coisas do que pensar ou falar sobre coisas (Oblinger & Oblinger, 2005). Uma parte dos alunos considera que a única função da escola é fornecer-lhes um diploma que os pais lhes dizem que eles precisam. Mas muita da aprendizagem faz-se “depois da escola”, é onde os jovens aprendem sobre o seu mundo e se preparam para a vida do século XXI, como menciona Prensky (2005). Para este autor é preciso ouvir a voz dos alunos e ter em conta as suas opiniões e fazer mudanças com base nas válidas sugestões que oferecem, senão “we will be left in the 21st century with school buildings to administer—but with students who are physically or mentally somewhere else” (pp. 5-6). Como consequência da sua natureza social, estes jovens preferem, a maior parte do tempo, aprender e trabalhar em equipa, sendo que muitas vezes os pares têm mais credibilidade do que os professores (Oblinger & Oblinger, 2005).
Sociabilidade e espírito de equipa – Os jovens estão abertos à diversidade, diferenças e partilha (Oblinger & Oblinger, 2005). Facilmente falam com estranhos na Internet. Porém, este sentido de sociabilidade precisa de sentido de segurança também.
Novas competências para a era digital – Os alunos de hoje mudaram relativamente aos do passado, do ponto de vista de Prensky (2001a, s.p), “Our students have changed radically. Today’s students are no longer the people our educational system was designed to teach”. Segundo Siemens (2006), os jovens vivem num mundo caracterizado por uma sobrecarga de informação e uma brecha, cada vez maior, no acesso à informação. Para este autor, “Our conceptual world view of knowledge – static, organized, and defined by experts – is in the process of being replaced by a more dynamic and multi-faced view” (Siemens, 2006, p. 3). As múltiplas fontes de informação que existem na Web obrigam a um desenvolvimento de competências de pesquisa, triagem, validação e síntese, muito diferente da assimilação da informação de uma única fonte de conhecimento a partir do manual, televisão ou professor (Dede, 2005; Siemens, 2006). A natureza não-linear dos ambientes digitais, introduzida pela tecnologia hipermédia, leva a novas dimensões de pensamento e de aprendizagem, diferentes da forma linear como se lê em papel.
Conhecer e compreender a Geração Polegar é fulcral, para criar condições propícias à aprendizagem e ao envolvimento dos alunos. Alguns teóricos da educação (Dulay & Burt, 1977) consideram que os alunos retêm o que aprendem quando a aprendizagem está associada a uma forte emoção positiva. Estudos no âmbito da psicologia cognitiva (Christianson, 1992) mostram que o stress, o aborrecimento, a confusão, a baixa motivação e a ansiedade podem individualmente e mais profundamente em combinação, interferir com a aprendizagem. Nesta linha de pensamento Kohn (2004, pp. 44-45) adverte para o facto de:
"When students are engaged and motivated and feel minimal stress, information flows freely through the affective filter in the amygdale and they achieve higher levels of cognition, make connections, and experience “aha” moments. Such learning comes not from quiet classrooms and directed lectures, but from classrooms with an atmosphere of exuberant discovery."
Ninguém duvida que esta geração de alunos é diferente das anteriores, por estarem constantemente conectados à Internet e com o seu telemóvel. Apesar de muita gente pensar que são individualistas, descuidados, que a escola não lhes interessa, a realidade é diferente. Os media e as empresas sabem disso e estão a mudar a sua metodologia de aproximação, para os manter interessados, no entanto, a escola continua a fazer quase o mesmo que há décadas antes quando se instituiu a escolarização formal.

Friday, May 27, 2011

Aprendizagem mediada por tecnologias móveis: novos desafios para as práticas pedagógicas



A Internet veio revolucionar a forma como vivemos, trabalhamos, aprendemos e nos actualizamos. Nunca na história da humanidade houve um tão grande volume de informação, nas mais variadas áreas do saber, ao alcance de qualquer pessoa. O conhecimento encontra-se muito distribuído e em consequência disso buscam-se novas formas de localizar e utilizar esse conhecimento disperso.
Expressões como "inteligência colectiva" (Pierre Lévy, 1997), "inteligência conectiva" (Derrick & Kerckhove, 1997), "inteligência emergente" (Steven Johnson, 2001), "colectivos inteligentes" (Howard Rheingold, 2002), "cérebro global" (Francis Heylighen et al., 1999), "redes inteligentes" (Albert Barabasi, 2002), "sociedade da mente" (Marvin Minsk, 1997) e “Grow Up Digital “ (Don Tapscott, 2008) são recorrentes e todas elas convergem na ideia de que estamos em rede, interconectados com um número cada vez maior de pontos e com frequência crescente (Costa, 2004). Estes temas estão a ser encarados por educadores como formas de auxiliar as exigências do processo de ensino e aprendizagem, não só das actuais gerações de alunos, mas também das futuras.
Que impacte estão a ter todas as mudanças a que estamos assistindo no aparecimento daquilo a que se chama uma nova ordem educacional? Na opinião de Leadbeater (2000), temos de deixar de olhar para a educação como um ritual de passagem que envolve a aquisição de conhecimentos e qualificações suficientes para entrar na vida adulta. Para este autor, a educação não deve servir apenas para inculcar um conjunto de conhecimentos, mas para desenvolver capacidades básicas de literacia e numeracia e a capacidade de agir com responsabilidade relativamente aos outros, tomar iniciativa e trabalhar de forma criativa e colaborativa.
A educação, actualmente, enfrenta grandes desafios no sentido de preparar as futuras gerações para o mercado de trabalho. Segundo o novo livro branco da Partnership for 21st Century Skills (P21) , os professores não podem lançar a verdadeira educação para o século XXI na escola actual, que reflecte o desenho da Era Industrial, com instalações e horários rígidos, salas de aula e disciplinas fixas. A P21 identificou um conjunto de competências que é necessário desenvolver nos alunos, para melhor enfrentarem os desafios futuros, tais como pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação, colaboração, criatividade e inovação.
A economia global exige níveis crescentes de conhecimento e compreensão profunda das forças que moldam o presente e o futuro. Para a ciência cognitiva as competências e os conhecimentos são interdependentes. Por isso, possuir uma base de conhecimento é fundamental para aquisição de mais conhecimento e também de competências. Isto quer dizer que as competências não podem ser adquiridas ou aplicadas de forma eficaz sem conhecimentos prévios, numa ampla gama de assuntos, e a escola tem de estar atenta a isto.
O desenvolvimento do pensamento crítico é um assunto importante na sociedade de informação. Todos os professores devem fazer um esforço para ajudar a desenvolver o espírito crítico em todos os alunos. Resnick (1987) ressalva que o importante é que a escola eduque e ensine a pensar “higher order thinking has always been a major goal of elite educational institutions. The current challenge is to find ways to teach higher order thinking within institutions committed to educating the entire population” (idem, p. 44).
O relatório "21st Century Learning Environments" , divulgado em 2009, sugere que os ambientes de aprendizagem sejam espaços flexíveis, com flexibilidade de tempo e horários, de tipo misto (blended learning), com pleno acesso a ferramentas e recurso digitais e multimédia. Os ambientes de aprendizagem do século XXI devem atender às múltiplas necessidades dos alunos (vistos como um todo), reforçar as relações humanas, dar relevância à aprendizagem e incentivar o envolvimento dos alunos.
O mercado laboral que os alunos enfrentarão tem vindo a ser transformado pela tecnologia, pela globalização e por mudanças demográficas. São factores com os quais se debatem as empresas e que devem preocupar as instituições de ensino. Isto obriga ao desenvolvimento de uma educação formal, mas também contempla a partilha e intercâmbio de conhecimento não-formal e adquirido ao longo da vida, bem como o desenvolvimento de novas competências. As habilidades para desempenho na sociedade da informação e comunicação, centram-se em conhecimentos explícitos requeridos pelo mercado de trabalho (formação, habilidade de computação, escrita ou capacidade de análise).
As instituições de ensino devem caminhar no sentido de formar os futuros trabalhadores para a criatividade, a capacidade de “aprender-a-aprender”, a flexibilidade, a capacidade de lidar com o risco, estarem tecnicamente preparados e treinados para ser hábeis na adaptação a novas tarefas, contextos e exigências. Adaptabilidade, competitividade e flexibilidade são características das empresas da era do conhecimento (Mocelin, 2007). Neste sentido, a utilização de tecnologias, em particular móveis, pelas suas características (portabilidade, interactividade, sensibilidade ao contexto, conectividade, individualidade e imediatismo) poderá ajudar a desenvolver estas competências e a melhor preparar as futuras gerações para vencer os desafios impostos pela nova economia.
O processo de aprendizagem e desenvolvimento de todas as competências exigidas pelo mercado de trabalho não é uma questão fácil, na medida em que estamos a enfrentar algo vanguardista que ainda não conseguimos compreender cabalmente. O desafio é acompanhar as mudanças, num processo de pensamento e reflexão que permita capacitar os futuros trabalhadores para enfrentar estas mudanças e gerar conhecimento necessário a uma boa adaptação e incorporação no meio laboral.
As tecnologias estão a provocar o desenvolvimento de novas oportunidades que devem melhorar e orientar o processo de aprendizagem a um nível superior, em comparação com as condições inimagináveis anos antes. Conhecer a rentabilidade da formação em geral e do m-learning, em particular, poderá permitir introduzir factores de melhoramento e inovação no processo de ensino e aprendizagem dos aprendentes, futuros trabalhadores.
Actualmente, por intermédio do uso de tecnologias móveis wireless, a educação está a ser direccionada para um novo conceito, o mobile learning, que permite o acesso a conteúdos sem limites de espaço e tempo e uma organização mais flexível do tempo de aprendizagem. Em muitos sentidos, o e-learning e o m-learning aproximam-se entre si, já que o poder e a sofisticação dos dispositivos móveis está a aumentar, todavia, a ubiquidade e a sensibilidade ao contexto, serão sempre aspectos da mobilidade que farão do m-learning uma abordagem única e especial na educação (Ismail et al., 2010).
Perrenoud (2000) apresenta as competências para ensinar neste século e os desafios que a escola do século XXI coloca aos professores. Jackie Halaw apresenta três passos essenciais para a aprendizagem do século XXI que vale a pena mencionar: transformar a sala de aula num espaço de aprendizagem criativo; ensinar os alunos para competências de competição, cooperação e colaboração; apresentar os alunos aos seus pares globais e proporcionar-lhes a oportunidade para colaborar. As tecnologias móveis e as ferramentas da Web 2.0 possibilitá-los-ão de entrar na aprendizagem do século XXI.
A aprendizagem é fundamentalmente uma actividade social (Roschelle & Teasley, 1995). Saber como cada indivíduo aprende é importante para qualquer professor e em qualquer ambiente de aprendizagem. Com este conhecimento é possível identificar melhor as dificuldades dos alunos e criar as melhores estratégias de aprendizagem para cada um, porque há alunos que gostam de aprender em conjunto, porém outros preferem fazê-lo individualmente. Segundo Paavola et al. (2002), a aprendizagem é uma questão de construção e aquisição individual, é a capacidade de uma pessoa utilizar e aplicar os conhecimentos em novas situações. Para estes autores “Knowledge is a property and possession of an individual mind” (p.11).
Os ambientes de aprendizagem baseados nas tecnologias têm-se imposto. Uns dão mais ênfase à aprendizagem individual (Sinitsa, 2000), outros à aprendizagem colaborativa (Dalsgaard & Paulsen, 2009; Stahl et al. 2006) e outros a ambas (Rachida et al., 2000). Na literatura aborda-se amplamente a aprendizagem colaborativa ou cooperativa mas muito pouco sobre a aprendizagem individual, que é, todavia, condição necessária à aprendizagem colectiva. Segundo Arteaga e Fabregat (2003) a aprendizagem individual está orientada para satisfazer necessidades do aluno e pode variar no tempo, na forma, no conteúdo e na quantidade, determinando que os ambientes desenvolvidos para apoiar a aprendizagem individual devam ser flexíveis, amigáveis e adaptáveis. De acordo com Sinitsa (2000), a apreciação que um aluno fará de um sistema está determinada pela capacidade do sistema em lhe facilitar a aprendizagem.
A aprendizagem colaborativa, cujas raízes remontam a trabalhos de Piaget (1926) e Vygostsky (1978) está orientada para a criação de conhecimento e pode ser definida como co-construção do conhecimento e mútuo compromisso dos participantes. A colaboração é em termos genéricos qualquer actividade que um par ou mais indivíduos efectuam juntos (Lipponen, 2002). É um catalisador de conhecimentos, orientado para a socialização do processo de aprendizagem (Cañas et al, 2000). A aprendizagem colaborativa tenta eliminar os problemas de isolamento e solidão, incorporando a componente social. Na aprendizagem colaborativa, os alunos aprendem em colaboração uns com os outros. O importante é que cada elemento do grupo contribua para a construção do conhecimento e complemente as ideias dos outros.
A interacção é um factor catalisador do processo de aprendizagem (Kearsley, 2001). Contudo, a criação de conhecimento e a assimilação do conhecimento é sempre um processo individual (Ewing & Miller, 2002). Sendo importante que os sistemas educativos, quer presenciais, quer a distância, proporcionem um suporte adequado para este tipo de aprendizagem.

Monday, May 2, 2011

Do telefone de Bell ao telemóvel



Na história das comunicações pessoais por telefone há três dados a reter: a invenção do telefone por Bell (em 1876), quando Cooper desenvolve o seu primeiro telemóvel (em 1970) e a chegada da tecnologia digital no início dos anos oitenta do século XX. Conhecer a história das comunicações ajuda a compreender o seu poder e influência na sociedade actual.
O primeiro telefone foi inventado por Alexander Graham Bell, em 1876, em Boston. Mais tarde, em 1921 um primeiro sistema pager, foi usado pelo Departamento de Polícia de Detroit. O primeiro verdadeiro telemóvel, chamado radiotelefone, apareceu em 1940, usado em ambulâncias e táxis. Em 1946, a AT&T e a Southwesterb Bell introduziram o Mobile Telephone System (MTS).
Em 1940 foram implementados sistemas práticos de telemóveis, mas revelaram-se pouco eficientes (Brown, 2001). Havia poucos canais e muitos pedidos de subscritores. Foi necessário esperar algum tempo para que os engenheiros de telemóveis desenvolvessem um método de reutilização de frequência para aumentar os canais. Este novo tipo de telemóveis era visto como um telefone móvel celular. Em 1979, os japoneses (operadora NTT) adiantaram-se aos americanos e inauguraram uma rede que cobria a área metropolitana de Tóquio. Em 1981, foi lançada a primeira rede telefónica celular internacional do mundo escandinavo, a NMT, envolvendo a Suécia, Noruega, Dinamarca e Finlândia. A empresa Nokia foi a primeira a introduzir os primeiros telefones de viaturas para a rede. Em 1982, os americanos entraram na corrida, com a criação do padrão analógico (adoptado por diversos países).
Foi durante os finais da década de 1970 e a década de 1980 que se iniciou o que se viria a designar por primeira geração (1G), primeiro sistema real de comunicações móveis, inicialmente conhecido como redes celulares analógicas . O serviço analógico, baptizado como a “primeira geração” (1G), deu lugar às redes digitais, “segunda geração” (2G), iniciadas nos anos 90 , com codificação digital de voz (Metcalf, 2006; Ribeiro & Amorim, 2002) e oferta de recursos multimédia para transmissão de dados, baseados na comutação de circuitos. A segunda e meia geração (2,5G) veio oferecer melhorias significativas à transmissão de dados e adoptou a tecnologia de pacotes GPRS (General Packet Rádio Service) (Metcalf, 2006; Taurion, 2002).
A terceira geração (3G) é um sistema designado por UMTS (Universal Mobile Telecommunications System) com largura de banda superior à anterior e oferta de serviços baseados na comutação de pacotes, usando a Internet Protocol (IP), possibilitando uma ligação virtual sempre disponível. Os serviços 3G acrescentam uma dimensão móvel inimaginável aos serviços que já pertencem à vida moderna, o que permite substituir um computador de secretária ou computador portátil por um terminal de bolso, com acesso à Internet e Intranet, videoconferência e partilha interactiva de aplicações (Ribeiro & Amorim, 2002). Se a primeira geração de telemóveis foi optimizada para a comunicação de voz, a terceira geração diferencia-se pelas conexões eficientes com as redes TCP/IP e pelos usos complementares que aproveitam esta capacidade técnica (Romaní et al., 2007).
A tecnologia 3G (e em breve a 4G) é uma realidade e o mercado de consumo está a posicionar-se face a esta tecnologia. Os mais optimistas anunciam uma evolução crescente do mercado (Levinson, 2003; Steinbock, 2005). Desde que a Internet tomou conta de grande parte das nossas vidas que somos obrigados a estar sentados por trás de uma secretária. Em contrapartida, o telemóvel, em especial o 3G, permite-nos estar sempre conectados em mobilidade. O telemóvel explora a história da mobilidade nos media e observa o impacto de um único dispositivo de mão capaz de permitir conversar de viva voz ou texto, tornando-se numa “complexa vela da vida humana” (Levinson, 2003). Com a proliferação da tecnologia Wireless os restaurantes, os transportes públicos, os jardins públicos tornaram-se locais de acesso ao ciberespaço.
Já ninguém duvida que estamos na era da revolução móvel. Estamos a passar do negócio da voz, para o negócio do olhar (Steinbock, 2005). Levinson (2003) considera que a cultura da mobilidade mostrará que os utilizadores consumirão muito mais rede através dos seus telemóveis do que dos seus computadores. Este cenário será possível quando se verificar a oferta de Internet pelo telemóvel sem custos adicionais, nem limite de volume de consumo e facilidade de acesso às redes Wi-Fi ou outras que vierem a aparecer. A conjugação destes três elementos resultará numa expansão sem precedentes no acesso à Internet. Neste momento, são os elevados custos das conexões os principais obstáculos ao seu desenvolvimento.

Saturday, April 23, 2011

Aprendizagem num contexto de mobilidade


Com o desenvolvimento e proliferação de novas tecnologias, muita investigação tem sido realizada nos últimos tempos, sobre como as pessoas usam as inovações tecnológicas. Em virtude da evolução das tecnologias móveis, surgiu uma preocupação na investigação para explorar a forma como estas tecnologias podem ser melhor utilizadas como ferramentas de aprendizagem (Kukulska-Hulme, 2009; Sharples, 2005) e como o seu desenvolvimento e utilização têm sido moldados por factores sociais e culturais (Harper, 2002; Waycott, 2004).
Alguns autores sugerem que as tecnologias móveis transformarão a educação nos próximos tempos (Soloway et al., 2001). Mas para que estas tecnologias possam ser utilizadas eficazmente é preciso compreender: i) como os alunos utilizam as tecnologias que guardam nos bolsos; ii) como se sentem relativamente a essas tecnologias; iii) as possibilidades e limitações que apresentam e iv) como estas tecnologias alteram o local de aprendizagem e as actividades que suportam.
O telemóvel tem provocado novas formas de interacção social e diminuição das barreiras espaciais. O facto de podermos estar contactáveis a qualquer hora e lugar, veio alterar a sociedade e configurar as nossas relações sociais. Por este motivo, este dispositivo tem sido estudado quer como tecnologia, quer como artefacto social (Kukulska-Hulme & Traxler 2005; Naismith et al. 2004; Nix, 2008; Sharples, 2006; Waycott, 2004). Uma experiência realizada no Reino Unido (Attewell, 2005) apresenta o telemóvel como um meio eficaz para formar jovens, em particular os que encontram dificuldades sociais. A profusão das tecnologias móveis e a sua aceitação pelos estudantes, pode abrir novas perspectivas pedagógicas. O telemóvel apresenta, graças à sua omnipresença, a vantagem de oferecer o que Metcalf (2002) designa por “Stolen moments for learning”, enquanto se viaja de autocarro ou comboio, se aguarda no consultório ou se espera na paragem.
A aprendizagem num contexto de mobilidade, interessa-se pela conectividade contínua dos aprendentes com o seu ambiente de aprendizagem (Alexander, 2004), no entanto, esta conectividade pode nem sempre ser conveniente, pela interferência inoportuna em certos momentos do dia. Isto levanta a questão do significado do que é estar online e offline.
Com o desenvolvimento das tecnologias móveis, surge o conceito de mobile learning, um eixo de investigação importante no domínio dos ambientes informáticos para a aprendizagem humana (McLean, 2003). Laouris e Eteokleous (2005) consideram haver necessidade de uma definição de m-learning educacionalmente relevante. Para estes autores é preciso que essa definição seja “in both a systematic and a systemic way” e explicam:
“The requirement “systematic” will translate into considering each term (“mobile”, “learning”) in isolation as well as in concert (i.e., “mobile learning”). The requirement “systemic” will translate into considering the whole environment in which mobile learning unfolds, i.e., the inter-relations and interactions between technology, the learning environment, the philosophy, the pedagogy” (Laouris & Eteokleous, 2005, p. 2).
São vários os estudos realizados na última década sobre experiências de m-learning em contexto formal e informal que reportam resultados positivos, bem como a aceitação das tecnologias móveis por parte dos alunos (Attewell, 2005; Cavus & Ibrahim, 2009; Kukulska-Hulme, 2009; Sharples, 2006; Song, 2008; Yousuf, 2007; Waycott, 2004). Todavia, as limitações dos dispositivos móveis têm condicionado a sua adopção generalizada, que se prendem com o tamanho pequeno do ecrã e do teclado, o desempenho limitado em termos de capacidade do processador, a memória disponível, o espaço de armazenamento e o tempo de bateria. Quando possuem ligação à Internet a conexão é lenta e a maioria das páginas Web não está redimensionada para ser vista em ecrãs pequenos, para além da existência de poucos conteúdos de aprendizagem para m-learning. Também os múltiplos standards, tamanhos de ecrã e sistemas operativos mobile constituem alguns desafios técnicos a ultrapassar. Poder-se-á dizer que as limitações são uma combinação de desafios técnicos e de educação. Porém, algumas dessas desvantagens podem desaparecer à medida que a tecnologia melhora.
As previsões apontam para a continuidade da evolução das tecnologias móveis. Segundo especialistas da Gartner, em 2013, haverá mais smartphones a aceder à Internet do que PCs. O relatório de previsões e tendências desta empresa calcula que mesmo depois desta data os smartphones e outros dispositivos móveis (Ultraportátil, Tablet PC, PDA, etc.) com acesso à Internet continuarão em ascensão.
Deste ponto de vista, à entrada da segunda década do século XXI é fundamental uma nova perspectiva de actuação na sala de aula, bem como políticas educativas consentâneas com as exigências da sociedade do conhecimento e da era digital. Há necessidade de repensar a educação na era da tecnologia móvel, porque o mundo educativo está a passar por uma grande transformação, como resultado da revolução digital, como referem Collins & Halverson (2009). Para estes autores, esta transformação é semelhante à transição da era da aprendizagem para a escolarização universal, ocorrida no século XIX, como consequência da revolução industrial. A escolarização levou as pessoas a identificar a aprendizagem com a escola, porém esta identificação está-se a diluir, muito por causa da evolução tecnológica ocorrida. No entanto, em algumas situações parece que vamos mudando mais os equipamentos do que muitos dos procedimentos.

Monday, April 18, 2011

Alunos digitais e os seus dispositivos



Prensky (2001a) chama a atenção para a realidade dos alunos de hoje e as suas diferenças relativamente às gerações passadas, devido à profusão das tecnologias digitais no final do século passado.
As actuais gerações de estudantes (Geração Net) passam mais tempo a utilizar o computador, a jogar on-line, muitas vezes com outros jogadores (Lenhart et al., 2008), a usar a Internet e a criar conteúdos que outros podem ver (Lenhart et al., 2007), a enviar e-mails, a ouvir música através do telemóvel e a ver televisão, como jamais aconteceu. A tecnologia faz parte do dia-a-dia das gerações mais novas que estão familiarizadas com diferentes tipos de ecrãs que é preciso levar em conta e potenciar também na escola.
Muitos pais e professores não vêem com bons olhos o facto dos jovens estudarem a ouvir música, preferirem uma pesquisa rápida na Internet a uma investigação na biblioteca, não estarem motivados por palestras, não gostarem de ler em papel e realizarem muitas tarefas ao mesmo tempo. Todavia para Prensky (2001a), a rapidez em receber informação, processamento paralelo e tarefas múltiplas são marcas desta geração: “Digital Natives are used to receiving information really fast. They like to parallel process and multi-task” (p. 2).
As tecnologias móveis estão a moldar a vida de muitos adolescentes e jovens em todo o mundo. Isto porque, como mencionam Hayes e Kuchinskas (2003), os telemóveis oferecem reais vantagens como dispositivos wireless de dados. Primeiro, porque são relativamente baratos e altamente portáteis. Segundo, porque os utilizadores estão familiarizados com as suas operações básicas o que leva a reduzir a necessidade de formação para a sua utilização.
Mark Prensky foi um dos primeiros a propor o uso do telemóvel na sala de aula. Através do texto “But the screen is Too Small…” (Prensky, 2003), este autor desmistifica a questão do reduzido tamanho do ecrã do telemóvel, considerando que esta limitação não constitui problema para alguns nativos digitais que usam regularmente tecnologias com pequenos ecrãs quando jogam através de dispositivos de jogos vídeo. No texto “What Can You Learn From A Cell Phone? Almost Anything” (Prensky, 2004), ressalta o potencial do telemóvel para promover a aprendizagem. Nele alerta para o facto de milhões de pessoas andarem com um computador nos bolsos, sem se darem conta disso, porque lhe chamam algo diferente. E pergunta: “How to use the 1.5 billion computers already in our students’ and trainees’ pockets to increase learning at home and around the world” (Prensky, 2004, p. 1)? Este e outros estudos em todo o mundo procuram responder a esta questão.

O futuro da Internet Móvel: Tecnologia 4G



A evolução da indústria sem fios procura aproveitar o potencial de novas tendências. A China apresentou, em 2007, o primeiro standard 4G do mundo, segundo o China Daily . Com uma rede 4G é possível suportar maiores quantidades de dados e abrir caminho para uma utilização intensiva de conteúdos multimédia, permitindo comunicações bi-direccionais a velocidade elevada. Como destaca Wagner (2005), a rede 4G terá alta velocidade de acesso móvel sem fios com velocidade muito alta de transmissão de dados. Esta tecnologia:
“also addresses the notion of pervasive networks, an entirely hypothetical concept in which the user can be simultaneously connected to several wireless access technologies and can seamlessly move between them” (p. 46).
O termo 4G (4ª Geração) tem sido usado para descrever duas tecnologias, o WiMAX e o LTE. Mas a revolução do 4G tem a ver com a passagem para o próximo nível da comunicação e Internet móvel. Prevê-se que as redes 4G recorrerão às tecnologias sem fios WiMAX . Esta tecnologia está a ser utilizada já em cidades americanas e europeias. Com o advento de novas infra-estruturas móveis fornecendo maior largura de banda e constante conexão à rede “anywhere, everywhere”, fará com que se transforme a forma como as pessoas usam os recursos informativos. Com redes 4G é possível aceder à Internet em movimento, com aumento de velocidades e ampliando os horizontes tecnológicos.
O WiMAX Forum prevê que em 2013 haja 133 milhões de utilizadores da tecnologia WiMAX, que apresentará menores custos para a Internet móvel. No entanto, esta tecnologia ainda não está a desenvolver-se como era esperado e parece vir a ser absorvida pela LTE (Long Term Evolution). A Motorola já anunciou o lançamento da sua plataforma de banda larga sem fios, compatível com pontos de acesso WiMAX e LTE . A tendência parece ser para a convergência destas duas tecnologias.
A Nokia anunciou estar a realizar testes com modems 4G. O aparelho Internet Modem RD-3 é baseado na tecnologia LTE, que será a próxima geração de redes de banda larga móvel. Segundo a empresa finlandesa, o RD-3 é compatível com redes já existentes, como GSM/EDGE (2G) e WCDMA/HSPA (3G), funcionando nas diversas frequências usadas pelas redes de telecomunicações. O padrão LTE aponta para aumento de velocidades de download. A entrada de serviços televisivos mostra o exponencial evolutivo destas tecnologias, cuja evolução está condicionada à amplitude de banda e velocidade.
As tecnologias sem fios irão futuramente dominar a experiência do utilizador e permitir maior mobilidade, flexibilidade e ubiquidade (Prensky, 2004; Sharples et al., 2008; Twiss, 2008).

Wednesday, March 23, 2011

Os telemóveis na sala de aula



Na história da tecnologia na educação, o telemóvel é a primeira tecnologia móvel mais ampla e rapidamente adoptada pela população, mas está interdita na maioria das salas de aula.
Estudos sobre a utilização dos telemóveis na sala de aula apontam para uma ausência de decisões por parte da escola sobre uma política do uso do telemóvel (Twiss, 2009). Alguns resultados (Kukulska-Hulme & Traxler, 2005; Moura & Carvalho, 2009b; Song, 2008) sugerem que estes dispositivos potenciam uma ampla variedade de oportunidades para melhorar a aprendizagem, através da flexibilidade do tempo e do lugar em que ela pode ocorrer. Oferecem oportunidades de construção de relações entre alunos socialmente desadaptados. No entanto, há aspectos negativos do uso do telemóvel pelos alunos que incluem comportamentos socialmente intoleráveis, como o cyberbulling, e o facto do telemóvel ser encarado como um elemento distractivo na sala de aula, com impacte na redução da aprendizagem.
A utilização do telemóvel na sala de aula vai continuar a merecer atenção da investigação académica, no sentido de ajudar a integrá-lo e, futuramente, constituir-se numa tendência a ser adoptada pelas escolas. Cremos que uma boa estratégia a adoptar, desde já, pelo professor é explorar a tecnologia que muitos dos alunos levam para a aula rentabilizando as suas potencialidades de um ponto de vista pedagógico, através de actividades adequadas às condições e necessidades curriculares.
O uso do telemóvel na sala de aula está proibido em ambas as escolas onde decorreu esta investigação. No entanto, no quadro desta mesma investigação, foi-nos permitida a sua utilização. Daqui podemos inferir que quando os professores encontram estratégias para a sua inclusão nas práticas pedagógicas, a proibição deixa de fazer sentido. Consideramos, no entanto, que a tecnologia não deve ser imposta, mas também não pode ser descurada. É preciso estar sensível aos avanços técnicos e perceber como as tecnologias podem ser rentabilizadas em contexto pedagógico, tendo subjacente as teorias de aprendizagem.

Wednesday, March 16, 2011

A utilização dos telemóveis pelos jovens portugueses: para uma cultura da mobilidade



Segundo dados avançados pelo Jornal Económico e pelo Diário de Notícias Online , no primeiro trimestre de 2010 notou-se um aumento de 21% das vendas de telemóveis, comparado com o mesmo período de 2009, sendo o segmento dos smartphones a apresentar maior dinamismo. Estes dados mostram como os telemóveis e as comunicações móveis continuam a crescer em Portugal, com os jovens a ser cada vez mais incluídos na rede de utilizadores. As gerações mais novas vão-se socializando e crescendo numa realidade que já faz parte das suas práticas quotidianas e o telemóvel tornou-se num acessório indispensável nas suas vidas.
Portugal tem uma taxa de penetração de telemóveis das mais elevadas da Europa. Segundo dados da ANACOM no final do primeiro trimestre de 2010 existiam 15,8 milhões de estações móveis activas associadas a planos tarifários pós-pagos, pré-pagos e híbridos. Neste período de análise a penetração do Serviço Telefónico Móvel (STM) subiu para 148,9 por 100 habitantes, acima da média europeia que é de 122.
Os dados apresentados por Cardoso et al. (2009) mostram que a maioria dos jovens, dos 16-18 anos, tem telemóvel oferecido pelos pais (82,9%), com carregamentos (98,4%) e pagos por um dos progenitores (67,6%). Mais de metade gasta cerca de 30 euros por mês com o telemóvel e 13,3% têm vários cartões de diferentes redes que usa no mesmo aparelho. A maioria diz receber (61%) e fazer (51,6%) várias chamadas por dia, receber e enviar SMS (82,4%) ao dia e receber e enviar MMS por dia (39,6%). Apenas 29,1% assinalam nunca ouvir música no telemóvel e 19,8% nunca tirar fotos com o dispositivo. Quanto a ver programas de TV ou pequenos vídeos no telemóvel, 78% reportam nunca ver e 72% nunca utilizar o Messenger. Navegar na Internet através do telemóvel é frequente para 27,5% dos jovens e 81,9% nunca usaram o e-mail. Receber alertas por SMS nunca aconteceu para 45,6%. A média de realização de chamadas por dia é de 5,19 e recebê-las é de 8,41, enquanto que a média de envio de SMS por dia é de 76,69 e recebê-las é de 79,45. Os amigos (46,7%) e os pais (38,5%) são as pessoas a quem mais telefonam. Para 70,9% os amigos são os principais destinatários das mensagens. Comparando os dados de 2008 e os de 2006, há um aumento dos SMS enviados e recebidos diariamente e os amigos continuam a ser o alvo preferencial dos SMS. Há um ligeiro aumento do uso do Messenger e navegação na Internet através do telemóvel.
Os dados apresentados mostram que os nossos jovens são parte da geração móvel, nasceram e cresceram com os telemóveis como ferramenta de comunicação. Por isso, não é de estranhar que a maioria se sinta confortável quando tem um telemóvel por perto (Cardoso et al., 2007b).