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Friday, April 22, 2011

QR Code - uma tecnologia da era móvel


O QR Code (Quick Responde Code) ou Código de Barras em 2D, é uma matriz criada pela empresa japonesa Denso-Wave, em 1994. O código pode ser interpretado rapidamente mesmo com imagens de baixa resolução, das câmaras digitais em formato VGA, como as dos telemóveis.
Inicialmente foi usado para catalogação variada, gestão de inventários numa grande variedade de indústrias, revistas, propagandas, entre outras possibilidades. Desde 2003 que se estão a desenvolver aplicações para ajudar os utilizadores a adicionar dados nos telemóveis. Alguns dos modelos de telemóvel mais recentes trazem já esta tecnologia, os mais antigos deverão instalá-la. Os sites Kaywa Reader, i-nigma, Omarabid permitem descarregar para o telemóvel o software necessário, permitindo fazê-lo de várias formas: por SMS, diretamente para o telemóvel, ou descarregando-o para o PC. O site Kaywa Reader informa sobre os modelos de telemóvel em que é possível usar o programa.
Estamos a viver o fenómeno da Mobile Tagging e na Era da Inteligência Distribuída. O Mobile Tagging está relacionado com a popularização dos telemóveis. É uma prática de escrita destinada à leitura que se realiza em trânsito, baseada em códigos de barras bi-dimensional – QR Code interpretado pela câmara do telemóvel, depois de instalado um leitor de QR Codes no dispositivo. Basta passar o ecrã do telemóvel pelo código que rapidamente é interpretada a informação nele contida.
Como usar o QR Code para aprender?
Os resultados de alguns estudos na Universidade de Bath, Gloucestershire, Leicester e Sheffield revelam que os alunos estão mais conscientes dos QR Codes. Consideram que o acesso à informação através do QR Code é mais atraente em comparação com a entrada manual da informação no telemóvel. Mostraram-se pouco interessados em gastar o seu dinheiro em acesso a materiais de aprendizagem nos seus telemóveis, preferindo aceder a ela através do computador, por isso, o QR Code é valorizado por não trazer custos.
Esta tecnologia pode ter várias aplicações, por exemplo, num museu, onde é possível colocar através de um QR Code o URL da obra para que o visitante rapidamente aceda à informação disponível na Web sobre o quadro. Qualquer biblioteca escolar pode beneficiar desta tecnologia e entrar na era da mobilidade digital. O QR Code pode servir para apresentar informação sobre as obras em cada estante, a localização de obras recentes, resumo do livro do mês, etc.
A escola pode também usufruir desta tecnologia e organizar um Peddy-paper ou Caça ao Tesouro usando o QR Code para dar orientação aos participantes. Os professores podem usá-la com informação variada para os alunos armazenarem nos seus dispositivos móveis: links para websites, resumos, sínteses, feedback do trabalho realizado, objectivos para os testes, datas, etc.

Como funciona o QR Code?

QR Codes - Geografias Celulares

Monday, April 11, 2011

Quebrar paradigmas


As pessoas estão a aprender com a ajuda das tecnologias. Os jovens jogam, navegam na Internet, colaboram em redes sociais, lêem jornais on-line ou consultam a Wikipédia e interagem com simulações desafiadoras. As tecnologias estão a criar oportunidades de aprendizagem que desafiam as instituições educativas tradicionais. Novos nichos de aprendizagem permitem às pessoas de todas as idades continuar a aprender à sua maneira e de acordo com a disponibilidade.

As pessoas em todo o mundo estão a prosseguir a sua educação dentro e fora da escola, em casa, em bibliotecas, cybercafés e local de trabalho onde podem decidir o que querem aprender, quando e como querem aprender. Tim Berners-Lee, co-criador da World Wide Web (WWW) previu, em 2007, que, no futuro, a Web vai parecer que está em todo o lado. Não apenas nos computadores fixos ou portáteis, mas também nos dispositivos móveis.
Hoje, assiste-se a um maior acesso à Internet através de dispositivos móveis como o Blackberry, o iPhone ou o iPad. Estas tecnologias parecem suprimir as limitações da aprendizagem confinada à sala de aula, oferecendo acesso a materiais de ensino e de aprendizagem indiferentemente do local e do tempo. Elas permitem ampliar as fronteiras da escola e diluir as paredes da sala de aula.
Expressões como “Sociedade das Comunicações Móveis” (Castells, 2004), “Cultura do Telemóvel” (Goggin, 2006), “Thumb Culture” (Glotz et al., 2005), “Mobile Age” (Sharples et al., 2005) aludem ao aparecimento de um novo paradigma social que as tecnologias móveis vieram trazer ao quotidiano. Estas tecnologias emergentes estão a transformar os hábitos das pessoas, a forma como se trabalha, se ensina e se aprende.

Com a evolução das tecnologias móveis está-se a configurar um novo “paradigma” educacional denominado mobile learning ou m-learning. A diversidade de dispositivos móveis disponíveis no mercado, bem como o aumento do número de trabalhadores móveis leva a que a questão da mobilidade seja um assunto que tem requerido a atenção da comunidade académica internacional (Alexander, 2004; Bowker, 2000; Kukulska-Hulme & Traxler 2005; Kukulska-Hulme, 2009; Prensky, 2001a, 2005; Sharples, 2000, 2005, 2006; Ryu & Parsons, 2009; Traxler, 2005, 2007; Trifonova, 2003; Vavoula et al., 2009). Discute-se hoje o conceito de m-learning, aqui definido como o processo de aprendizagem que ocorre apoiado pelo uso de dispositivos móveis, tendo como característica fundamental a portabilidade dos dispositivos e a mobilidade dos sujeitos, que podem estar física e geograficamente distantes uns dos outros ou em espaços físicos formais de educação, como a sala de aula. Nesta tese, m-learning refere-se ao uso de dispositivos móveis, particularmente o telemóvel, dentro e fora da sala de aula, por alunos do ensino secundário com propósitos de aprendizagem formal.
O m-learning aproveita as potencialidades de dispositivos móveis (telemóvel, PDA, PSP, Pocket PC, Tablet PC, Netbook) usufruindo de oportunidades de aprendizagem através de diferentes contextos e tempos.
As características destes dispositivos permitem a construção do conhecimento em qualquer espaço e o acesso à informação just-in-time. As vantagens deste “paradigma” educacional assentam em diferentes pressupostos (Attewell, 2005; Attewell & Webster, 2004; Sharples 2006):
i) Na possibilidade de interacção (professor-aluno-aluno);
ii) Na portabilidade, pois o telemóvel é mais leve do que um PC e permite ao utilizador tirar notas ou recolher dados no local, directamente, para o dispositivo, em texto, imagem, vídeo ou voz;
iii) Na colaboração, ao permitir que vários alunos possam trabalhar em conjunto numa tarefa mesmo estando em locais distantes;
iv) Na promoção do empenho dos aprendentes, dada a “adoração” que as novas gerações têm por dispositivos móveis, em particular o telemóvel;
v) No aumento da motivação, na medida em que o sentido de propriedade dos dispositivos móveis parece aumentar o compromisso de o usar e aprender através dele;
vi) Na promoção da aprendizagem na hora (just-in-time learning) ao aumentar o desempenho de trabalho e de aprendizagem e a relevância para o aprendente;
vii) Na melhoria da autonomia ao favorecer aos aprendentes mais autonomia e flexibilidade especialmente na aprendizagem a distância.
Partilhamos a posição de Teresa Almeida d’Eça (2004) ao considerar que a introdução de uma nova ferramenta enriquece diferentes vertentes do processo de aprendizagem. O seu potencial é ainda maior quando se trata da aprendizagem de línguas, já que contribui para o desenvolvimento de algumas ou até de, todas as competências básicas, ao permitir interacções na vida quotidiana e situações autênticas de aprendizagem em geral. Quer o texto, a imagem ou vídeo, quer a voz, são recursos que aumentam a aprendizagem e o telemóvel permite usá-los. Este aparelho, foi entre os dispositivos móveis, o mais rapidamente adoptado pelas gerações mais jovens em todo o mundo (Twiss, 2009) e o seu uso em contexto educativo não deve ser desaproveitado.