Tuesday, March 29, 2011

Aprenderá o m-learning com o e-learning?



Para Martin Addison, o m-learning tem tudo a aprender do e-learning. Com o e-learning, tudo partiu da ideia " Temos computadores vamos usá-los na aprendizagem". Porém, nem tudo foi assim tão simples e o e-learning demorou a ganhar força e potencial. Actualmente, podemos pensar o mesmo "Temos dispositivos móveis, vamos usá-los na aprendizagem", todavia não é assim tão líquido. Se o m-learning não aprender as lições aprendidas com o e-learning, vamos ter os mesmos problemas. É fácil ficar seduzido por todos os dispositivos portáteis que temos à nossa disposição (smartphones, tablets PC, iPads), mas se as experiências de m-learning não forem convenientemente preparadas e os recursos adequados, não teremos bons resultados. O que as experiências do passado nos ensinam é que a tecnologia é apenas um facilitador, um meio no processo de aprendizagem. Ela pode melhorar o acesso e aumentar a eficiência, velocidade e produtividade, em termos da forma como a informação e as oportunidades de aprendizagem chegam ao aprendente. Mas mais importante do que isto são as questões: Que competências precisam de ter os indivíduos dentro da organização? Quais são as suas preferências para a aprendizagem? O que os motiva a adquirir tais competências? Como é que a tecnologia os pode ajudar neste processo?
As três lições que podemos tirar do e-learning são: (1)apresentar um modelo educacional misto (blended learning); (2) fácil de usar e (3) atraente. A ideia de que não devemos querer continuar a reinventar a roda mantem-se para o m-learning. Pois, ter em mente as lições do e-learnng pode ajudar à integração positiva do m-learning e a potenciá-lo no processo de ensino e aprendizagem.

Saturday, March 26, 2011

Mobile learning: um novo “paradigma” educacional


O m-learning é uma área emergente da educação a distância. Para alguns autores (Laouris & Eteokleous, 2005; Sharples, 2006; Traxler, 2005, 2007) o e-learning está a ser transformado pela Internet e pelo poder das tecnologias sem fios no m-learning. A ubiquidade dos dispositivos móveis conduzirá o m-learning a um importante meio para fornecer educação e formação (Rheingold, 2003). Enquanto que o e-learning está centrado no computador e no fornecimento de cursos online em casa e no local de trabalho, o m-learning tira partido do poder ubíquo dos dispositivos móveis para se poder aprender em qualquer lugar e a qualquer hora. Gomes (2005) chama a atenção para a necessidade de clarificação dos conceitos de “educação a distância” e de e-learning, muitas vezes usados como sinónimos, em virtude da diversidade de utilizações das tecnologias da informação e comunicação (TIC) na educação. Para esta autora todas as modalidades de utilização das TIC na educação são válidas e com potencial específico, no entanto, há uma falta de consenso quanto à definição do conceito de e-learning, decorrente das diversas formações e perspectivas profissionais dos especialista nesta área. O seu conceito de e-learning centra-se menos nos aspectos tecnológicos e mais no potencial pedagógico, através da construção de situações de formação a distância baseadas na interacção e colaboração, para constução de aprendizagens significativas, através de tecnologias de redes.
Segundo McGreal (2009) a aprendizagem realizada através de dispositivos móveis terá um impacte significativo tanto no e-learning como na aprendizagem tradicional. Para este autor, num futuro próximo, o m-learning tornar-se-á uma parte normal da educação de todos, porque o “m-learning happens in context in which it is needed and relevant and is situated within the active cognitive processes of individual and groups of learners” (McGreal, 2009, s/p), levando a que este “paradigma” ganhe pertinência.
São várias as definições de m-learning. Uma das primeiras definições revela as oportunidades de aprendizagem mediante o uso de dispositivos móveis, como o telemóvel, PDA, Pocket PC ou Tablet PC (Quinn, 2000). Para Harris (2001) trata-se da capacidade de usufruir de momentos de aprendizagem a partir de um telemóvel ou de um PDA. Porém, estas definições ao focarem-se mais na tecnologia, deixam de fora outros ângulos da mobilidade, como a mobilidade do aprendente, dos contextos e dos conteúdos (Kukulska-Hulme, 2009).
A expressão m-learning encerra dois conceitos, o conceito “mobile” e o conceito “learning”, como referem Hayes & Kuchinskas (2003). Embora o termo learning não levante muitas dúvidas, o conceito mobile pode reportar-se tanto às tecnologias móveis, como à mobilidade do aprendente e também à mobilidade dos conteúdos. Neste sentido, a mobilidade não deve ser apenas entendida em termos do movimento espacial, mas também em termos de transformações temporais e derrube de fronteiras, alargando os horizontes da aprendizagem e do acesso à informação.
Apesar de já muito se ter falado no assunto, o m-learning é uma área recente e a precisar de estudo, como salientam Gay, Stefanone, Grace-Martin e Hembrooke (2001 citados por Cobcroft et al. 2006, p. 6):
“A priority now is to explore complex, concrete, context-dependent learning settings, to identify how ubiquitous mobile computing tools mediate particular relationships and practices for particular learners and learning communities. Through carefully constructed studies, we can begin to address the challenges posed for the HCI [Human-Computer Interaction] community by the anytime, anyplace nature of mobile and ubiquitous computing technologies”.
Embora o termo m-learning tenha significados distintos para diferentes grupos de investigação, estudos realizados por Sharples (2005) e Kukulska-Hulme (2009) têm demonstrado que a aprendizagem é aprofundada e enriquecida quando os alunos podem optar por múltiplos recursos e caminhos para a sua aprendizagem. Vavoula (2005) destaca o seu valor quando refere que o m-learning é mais interactivo ao envolver mais contacto, comunicação e colaboração.
Uma das características do m-learning é o aproveitamento dos dispositivos que os utilizadores usam e levam com eles para todo o lado, que consideram dispositivos pessoais e amigáveis, que são fáceis de usar, que usam constantemente em todos os momentos da vida e numa variedade de situações diferentes, excepto na esfera educativa (Yousuf, 2007). Como faz notar Keegan (2008, p. 6), “Never in the history of the use of technology in education has there been a technology as available to citizens as mobile telephony today”, porém esta tecnologia não está a ser aproveitada para ensinar e aprender.
Para Attewell (2005, 2008) há várias vantagens inerentes ao m-learning, entre elas, ao ajudar os alunos a:
i) Melhorar as competências de literacia e cálculo;
ii) Reconhecer as suas aptidões;
iii) Desenvolver experiências de aprendizagem individual e colaborativa;
iv) Identificar onde precisam de ajuda e apoio;
v) Superar a fractura digital;
vi) Realizar aprendizagem informal;
vii) Estar mais concentrados por períodos de tempo mais longos;
viii) Aumentar a auto-estima e auto-confiança.
Outros autores consideram que o m-learning melhora o processo de ensino e aprendizagem ao aumentar o acesso à informação e ao apoiar diferentes tipos de aprendizagem (Naismith et al., 2004). Significativos avanços das tecnologias móveis estão a tornar possível usá-las na aprendizagem formal e não-formal. Tal como no e-learning, as tecnologias móveis podem interligar-se com muitas outras ferramentas multimédia, como o áudio, vídeo, imagem, Web, entre outras.
O m-learning está a trazer vantagens para o campo educativo, sobretudo tendo presente que embora os alunos tenham computadores portáteis não aceitam trazê-los para a aula por serem pesados, como constatámos em estudos realizados (Moura & Carvalho, 2007; Moura, 2009). Primeiro, porque permite trazer novas tecnologias para a sala de aula e os professores através de tecnologias móveis podem fornecer aos alunos conteúdos a qualquer hora. Segundo, os alunos podem beneficiar desses dispositivos para aceder a conteúdos disciplinares quando necessário. Terceiro, pode facilitar aos alunos o processo de aprendizagem pela comodidade e rapidez de acesso à informação, por se tratar de um dispositivo pessoal com grande acolhimento e por estar sempre à mão.
Apesar das vantagens apresentadas, esta abordagem educacional enfrenta ainda algumas dificuldades tecnológicas e debilidades para um uso generalizado em contexto educativo. Mas como assinala Chisholm (2005), mais importante e mais complexo do que a tecnologia são as estratégias pedagógicas e os métodos didácticos elaborados e utilizados com e para as tecnologias móveis a que se deve dar a maior atenção.
As tecnologias móveis parecem estar a permitir mobilizar o espaço social, pessoas e recursos (Green et al., 2001). A busca da computação ubíqua está a conduzir à miniaturização, à personalização e à democratização das tecnologias, convergindo para um “ambiente informacional nómada”, como designado por Lyytinen e Yoo (2002). Embora as tecnologias móveis não sejam um fenómeno recente, pois outros media, como os jornais, as revistas, o rádio já eram móveis também, o que efectivamente é novo é a possibilidade de, através de um aparelho como o telemóvel, se poder chegar directamente a uma pessoa e não a um local (Feldmann, 2005) e aceder a uma quantidade grande de informação. Este dispositivo satisfaz uma necessidade humana, a de falarmos enquanto nos deslocamos.
O debate em torno da questão de saber como estão as instituições preparadas para enfrentar as mudanças operadas na sociedade, tem sido abordado por alguns autores (Alexander, 2004; Naismith et al., 2004; Wagner, 2005). Estudos e investigações no âmbito da aprendizagem apoiada por tecnologias móveis, referidos por Kukulska-Hulme e Traxler (2005), têm ajudado a colocar escolas, de diversos níveis de ensino, e universidades na vanguarda das práticas pedagógicas. Estas práticas vêm responder às exigências dos alunos no que respeita à flexibilidade e à ubiquidade da aprendizagem. Outros estudos realizados sobre o uso de tecnologias móveis apresentam várias possibilidades de aplicação das tecnologias móveis em contextos de aprendizagem (Attewell et al., 2009; Kukulska-Hulme & Traxler, 2005; Ryu & Parsons, 2009; Vavoula et al., 2009; Waycott, 2004). Entre outras possibilidades destacamos a recolha de dados em tempo real, o preenchimento de um mapa com dados locais, as interacções síncronas com colegas, professores, especialistas e interacção com os conteúdos das aulas. É precisamente, em virtude da sua facilidade e independência de fronteiras físicas que o m-learning oferece um vasto potencial para melhorar todos os tipos de ensino: presencial, misto ou a distância. É fundamental conhecer e avaliar o seu potencial e identificar novas formas em que a mobilidade pode contribuir para experiências significativas de aprendizagem, porque a tecnologia móvel torna possível uma nova matriz de interacções dentro e fora da sala de aula e amplia as fronteiras educativas.

Wednesday, March 23, 2011

Os telemóveis na sala de aula



Na história da tecnologia na educação, o telemóvel é a primeira tecnologia móvel mais ampla e rapidamente adoptada pela população, mas está interdita na maioria das salas de aula.
Estudos sobre a utilização dos telemóveis na sala de aula apontam para uma ausência de decisões por parte da escola sobre uma política do uso do telemóvel (Twiss, 2009). Alguns resultados (Kukulska-Hulme & Traxler, 2005; Moura & Carvalho, 2009b; Song, 2008) sugerem que estes dispositivos potenciam uma ampla variedade de oportunidades para melhorar a aprendizagem, através da flexibilidade do tempo e do lugar em que ela pode ocorrer. Oferecem oportunidades de construção de relações entre alunos socialmente desadaptados. No entanto, há aspectos negativos do uso do telemóvel pelos alunos que incluem comportamentos socialmente intoleráveis, como o cyberbulling, e o facto do telemóvel ser encarado como um elemento distractivo na sala de aula, com impacte na redução da aprendizagem.
A utilização do telemóvel na sala de aula vai continuar a merecer atenção da investigação académica, no sentido de ajudar a integrá-lo e, futuramente, constituir-se numa tendência a ser adoptada pelas escolas. Cremos que uma boa estratégia a adoptar, desde já, pelo professor é explorar a tecnologia que muitos dos alunos levam para a aula rentabilizando as suas potencialidades de um ponto de vista pedagógico, através de actividades adequadas às condições e necessidades curriculares.
O uso do telemóvel na sala de aula está proibido em ambas as escolas onde decorreu esta investigação. No entanto, no quadro desta mesma investigação, foi-nos permitida a sua utilização. Daqui podemos inferir que quando os professores encontram estratégias para a sua inclusão nas práticas pedagógicas, a proibição deixa de fazer sentido. Consideramos, no entanto, que a tecnologia não deve ser imposta, mas também não pode ser descurada. É preciso estar sensível aos avanços técnicos e perceber como as tecnologias podem ser rentabilizadas em contexto pedagógico, tendo subjacente as teorias de aprendizagem.